quinta-feira, 9 de dezembro de 2021

 

SOBRE A AMIZADE

 

A reflexão do exercício da amizade entre o Cravo e a Rosa

Uma conversinha, bem simples. É sobre a amizade. Duas flores, a rosa e o cravo, em um dia de sol, depois de uma chuvinha fina, garoa da noite e muitos afagos das borboletas e dos beija-flores.

Excepcionalmente, não falavam de outras flores e nem de coisas fugazes e triviais. Dedicavam a compreender as sutilezas da amizade.

Depois de dedicarem parte do tempo às suas vaidades, cada uma à sua maneira, dando a si o zelo e os cuidados estéticos e éticos exigidos pelo ser chauvinista e narcisista intrínseco às suas idiossincrasias, a rosa, mais esbelta e decisiva como sempre, falou:

- sabe querido cravo, você já chegou a entender algumas vezes, como as pessoas exercitam a amizade entre elas? Será que este sentimento é espontâneo entre elas ou por detrás de cada gesto e atitude há uma série de interesses? Será que a amizade, no caso, é praticada de forma gratuita e em nome do amor?

O cravo, muito reflexivo, demorou a responder. Olhou bem calmamente nos olhos da rosa, e disse-lhe:

- Difícil saber, amiga rosa. Às vezes, quando vejo uma de nós fazer parte de um gesto amigo, quando oferecem flores, uns aos outros, fico imaginando a quantidade de carinho, afeto, sinceridade, lealdade, paz e amor (ingredientes da amizade) que estamos levando para alguém.

Eu sempre falo para minhas amigas, quando vão fazer parte de um buquê, que nossa vida útil é diretamente proporcional ao tanto desses ingredientes que nos acompanham.

Se pudéssemos entender a linguagem delas e elas a nossa, poderíamos dizer-lhes de quão é fácil ser e ter amigos e o que é realmente a amizade.

E tudo se resume na palavra amor. Não podemos dizer que somos amigos e temos amigos sem que entre nós haja amor. Amor ao próximo. O exercício da amizade não consiste só em ter a companhia nas festas, um aceno, um abraço, um presente de aniversário... Ser amigo é conhecer o amigo.

Você não pode ser amigo de alguém sem conhecer a fundo seu amigo. Suas necessidades, deficiências, qualidades, gostos e virtudes.

E, principalmente, suas carências e de como gosta de ser tratado como amigo. É que assim, quando o amigo não quiser lhe ouvir, você saberá calar; quando for hora de afagos, conselhos, ali você estará, capaz de entender o feeling que, àquela hora, toma conta da alma e do coração do amigo.

O amigo está sempre vivo e presente em nossos pensamentos, porque somos responsáveis pelo bem-estar de quem amamos.

Amamos? Sim. A amizade existe quando é regada pelo amor. Não só amamos a quem damos e de quem recebemos carícias e horas e horas de amor carnal.

Amamos também nossos amigos.

- Jose Valdir Pereira –

                                                     


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