quarta-feira, 23 de junho de 2021

Que vais fazer comigo?



...Quando assim ocorrer, que vais fazer comigo, após o esperado aconchego dos teus braços?
Dar-me-ás banho e deixarás meu corpo aos cuidados das tuas zelosas e maviosas mãos.
Dar-me-ás teu olhar amoroso e teus lábios prazerosos, a levarem-me às delícias do amor?
O que dirão meus murmúrios, meus sussurros no silêncio da minha entrega às tuas amáveis e dóceis carícias?
Decerto, dar-me-ás, ó vida, o meu melhor momento, para nada mais valer o que vier, se não houver mais outro instante, assim, tão nosso!
Não, minha amada, não vou esperar a primavera, nem as flores, nem o abrigo da alcoviteira madrugada, para derramar em teu corpo toda minha explosão amorosa.
Dar-te-ei todo e tudo, até meu último suspiro, agora!

josé valdir pereira



 

 

sexta-feira, 11 de junho de 2021

Uma confissão

 

Confesso que ainda não alcancei minha maturidade ideal e nem estou perto de atingir a perfeição que, incansavelmente, vivo a perseguir...

Já me dei conta que pouco aprendi com as flores, com os poetas, com os sábios, com as estrelas, com a natureza e com os protagonistas do amor, da paz e da amizade!

Por isso, rogo-lhes paciência, tolerância e mais tempo para que possa melhorar minhas passadas e evitar desperdiçar a mais sagrada e abençoado dádiva que me foi entregue pelas mãos de Deus: a vida!

E sei que, por um longo tempo, enquanto um caminhante, um andarilho e um viajante, percorrerão todos os céus, terras e mares...

...e ainda, mesmo assim, malgrado tudo isso, não estarei preparado, acabado e nem completo.

Nem para ti, nem para mim e nem para Deus! 

 (jose valdir pereira)





quarta-feira, 9 de junho de 2021

Dormir a vida pra quê?

 

Dormir a vida pra quê, se podemos cultivar os lírios?

 Não gosto de dormir; tenho a impressão que a vida passa mais rapidamente e a morte chega mais perto. Se pudesse, bebia todas, comia todas, via a lua nascer e sumir. O sol ir e vir, até a primavera voltar e o outono, também.

 Adoro outono. É pra ver as folhas caírem... Passa-me a idéia de renascimento.

Já viu uma gaivota voando no infinito do céu azul? Já viu uma centopéia seguindo seu caminho? Que paciência, não? Parece que nunca vai chegar, mas ela sabe que vai. Quando custa ao beija-flor polinizar a flor? E porque todas as águas doces correm para o mar? E por que o mar continua salgado? Parece coisa de gente. Tanto carinho recebe e continua salgada.

 Por que o mundo é doido? Ora, também pudera, cheio de gente doida. Sabia que você é também desajustado, desmiolado, desequilibrado Não adianta se esconder atrás desse sorriso. Um pouco mais ou um pouco menos, mas é. É por isso que a vida é desassossegada, atribulada e corrida, cheia de gente pressurosa. Você está parado, mas doido pra correr, freneticamente. É ou não é?

 E como mudar? Se forem para a roça, vão queimar o roçado, dizimar o pouco do verde que sobra e a fauna some. É melhor mesmo ficar na cidade, pensando que é são, vendo a vida passar, e descuidado, como disse o Raul Seixas, com a boca escancarada esperando a morte chegar.

 (José Valdir Pereira