sexta-feira, 12 de novembro de 2021

Sobre quem visita quem, e sobre a amizade...

Minha tia, quando era viva, costumava me dizer, sempre que eu chegava em Porto Velho de Fortaleza e ficava esperando a visita dela, que quem visita, vai à casa do amigo, é a pessoa que chega. Eu teimava com ela e dizia que esse papel era de quem morava na cidade. Afinal, para o anfitrião dar às boas-vindas à visita.

Explicava a ela que, no nosso caso, eu ia visitá-la sempre que chegava, porque ela era minha tia, alguns anos mais que eu e o meu prazer era grande em, tão logo chegasse, fazer-lhe uma visita. Às vezes, levar-lhe uma lembrancinha, um livro, ou uma flor.

Seu filho, meu primo-irmão José Airto, que já fez sua viagem para o céu, quando fazia faculdade em Belém-PA, toda vez que chegava para passar as férias em Porto Velho, a primeira visita era para sua tia, minha mãe, Maria Augusto, tomar um cafezinho e ouvir-me cantando as músicas de Roberto Carlos, principalmente a música "Nossa Canção", composição de Luiz Airão.

Eu dizia pra ela que essas eram duas exceções.

Agora, este ano de 2021, estive em Porto Velho para receber uma condecoração da Confraria Amigos do Buraco do Candiru. Esta instituição é um ponto cultural e de lazer de Porto Velho, que reúne as personalidades mais importantes da cidade, frequentada, também, por grande e notáveis rondonienses que costumam se reunir no local para conversas políticas, culturais e musicais.

Na calçada da instituição, à exemplo de Hollywood, tem algumas estrelas com as quais algumas personalidades do mundo cultural, social e político de Rondônia são homenageados. Denominas  Estrela da Calçada da Confraria.

Ao mesmo tempo em que fui muito feliz com essa homenagem e com momentos vividos com alguns amigos, inclusive com um evento beneficente que promovi na Escola Santa Marcelina, no dia das crianças, quando fiz um show musical para as crianças e distribuição gratuita de livros para elas, tive uma decepção com alguns amigos, esses muitos antigos e´por assim dizer, amigos quase irmãos. Amigos esses que quando eu chegava em Porto Velho, ia logo me visitar e me convidar para ir à sua casa, participar de eventos na cidade, etc. desta vez, foi grande a ausência de alguns.

Com outros amigos, a decepção foi quando a intensidade da amizade que demonstrou-se arrefecida e fria. Talvez coisas do tempo, da distancia, da idade ou em decorrência da pandemia que vivemos, que alterou o humor e a disponibilidade de cada um, à sua maneira e circunstâncias.

O certo é que as antigas amizades, sua existência, foi abalada por causa disso. Mas, por outro lado, não foram só perdas e danos. Ao cabo de tudo, dá para celebrar as novas amizades conquistadas, criadas e  outras consolidadas.

Eu esperava, ao contrário do que dizia minha tia, alguns amigos me visitarem e celebrarem comigo minha estada em Porto Velho. Contar as novidades, oferecer-me o apoio indispensável à quem chega de longe e desempenhar com gentileza e educação o papel de anfitrião. 

Mas é bom lembrar que meu estendimento é este, porque, quando alguém chega em Fortaleza, um amigo ou até mesmo um conhecido, tenho o prazer de me dispor a acompanhá-lo, mostrar a cidade e até de hospedá-lo em minha cada, com todo o conforto possível. Isso, porque, pra mim, faz parte da amizade.

Mas, como se está cansado de saber: não se faz mais amigos como antigamente. E nem se vive a amizade como se vivia. E a amizade, apesar do que disse Mário Quintana "A amizade é um amor que nunca morre", também morre. A exemplo do amor. Daquele amor que nunca houve. Que existiu, enquanto existiam as conveniências.

- jose valdir pereira - 

                  



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