Sonhar-te em vão
Tomaste-me do mar bravio,
da fúria das ondas nas
encostas sombrias,
da jangada, a mesma de bem
longe a levar-me ao sonho,
e me deste algo pior... às lágrimas
cheias do sal do teu desamor...
Ávida serpente, em atroz
mulher disfarçada, de voz e deusa do amor...
comeu até as sobras no tempo
da viagem, dos sonhos e do mar...
nem mais tão azul, nem tanto
só meu; o céu,
e sem a gaivota, no seu voo
razante para comer, minha companhia,
perdidos, eu e ela, no teu
apogeu...
por contemplar a ti e sonhar
com a possibilidade do teu amor...
E essa profunda fantasia que
me causavam teus olhos,
castanhos olhos das águas
desse (a)mar aberto de ternura,
para me extorquir do meu desterro, quando da tua
procura...
E eu na loucura de te haver,
não me via...
Possuído pela possessão já
consumida,
tomado de mim sem força e
sem dor,
nem a mais selvagem onda que
me açoitava,
esse mar bravio, me feriu
mais que o meu desencantado amor.
Nesse teu tempo, nem
compaixão, de volta aos braços da terra,
sem jangada, sem nada,
só a vela, ponho-me a pensar
em ti,
senhora, deusa,
no quanto serias por todo o
sempre por mim amada,
se, pelo menos, a milésima
parte do teu amor, qual o meu por ti,
fosse, assim, o teu por mim,
moça donzela,
por mim tão venerada e amada!
(jose valdir pereira)

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