domingo, 14 de fevereiro de 2021

Vivo no cidade como se vivesse no campo - sou campestre!

 

O alvorecer tem uma cumplicidade enorme com o meio rural e muito alheio ao mundo urbano. Na cidade, os raios do sol caem sobre os edifício, asfalto e algumas árvores, sobras da intolerância humana.


Com o campesino, o sol nasce dengoso, ainda sob o carinho de algumas nuvens, dando ao orvalho a possibilidade de trocar carícias com as folhas, as flores e com a relva dos campos.
Só, aos poucos, quando as borboletas e os beija-flores começam a espargirem-se sob o colorido das flores, à procura do prazer que lhes suscita o néctar, alimento divino dessas pequenas criaturas de Deus, é que o astro celestial, o sol, se mexe mais apressadamente, como se quisesse alcançar a lua, que sempre está fora do seu alcance.


Ainda acanhados, alguns raios dão aos demais animais do campo o sinal de que um novo dia desponta e que a natureza os aguarda, os espera, para a prazerosa simbiose existencial, só reservada aos que seguem as leis de Deus.


Enquanto isso, na cidade, os seres que ali vivem, se espreguiçam, não dão conta de contemplar a natureza porque não a têm mais, apenas se dão conta dos espigões, do mormaço brotando do asfalto quente, e do corre corre dos carros, pra lá e pra cá, como se a vida fosse só isso: um corre corre, pra lá e pra cá. De repente, esses uns nem enxergam o porvir de um novo dia, não se deslumbram com o alvorecer e quase lhes passa despercebido o crepúsculo, o sol que se despede, embora cheio de esplendor, mas como se a ninguém estivesse a acenar.


Ou seja: a cidade desapropria o homem da sua natureza divina; no campo, o homem alimenta sua natureza divina com o maná fluído das mãos de Deus.


Para os seres campestres, os viventes do campo, tanto o alvorecer como o ocaso são manifestações divinas, acenos do Deus Pai todo poderoso, tomando-lhes a bênção que pedem nesse momento de sagrada contemplação.

No campo, por onde anda o morador admira e colhe uma flor. Na cidade, o morador dá chutes em uma pedra ou quebra o galho de um arbusto, indefeso e pacífico, que lhe oferece o verde e a beleza que tem, para amenizar os percalços do seu dia a dia.
Embora more na cidade, confesso, tenho as manias de um campesino, vivo na cidade como se vivesse no campo, porque sou, na verdade, um genuíno campestre.

- jose valdir pereira -



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