terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

Uma lição de amor

 

Difícil garantir, o tempo todo, uma forma carinhosa de ser com seu amado ou com sua amada, se o amor de ambos não for verdadeiro e assentado, desde sua origem, na pureza e natureza de um coração que sentiu e viu que era aquele ou aquela a quem deveria e seria capaz de amar por toda a vida.

 Há amores que chegam apressados, os impacientes natos, sem ter a essência que o sustenta de forma concreta, a essência de um coração puro e gentil, nobre e singelo, com o fito apenas de fazer sua conquista.

 Depois de algum tempo, quando verifica que já se apossou das circunstâncias, que já fez sua conquista, que, no seu entendimento, está tudo dominado (ledo engano), começa a mostrar as unhas e, no lugar da ternura, da nobreza e da sutileza que dera atenção desse o limiar do relacionamento, começa a faltar com aquilo que o fez conquistar o coração, a alma e a mente do outro: atenção, amabilidade, carinho e meiguice.

 Então, aquele amado ou aquela amada que imaginou estar, enfim, com o amor de sua vida, começa a sentir que não é bem assim. E outra vez, vê seus sonhos se perderem no labirinto das almas amaldiçoadas, as que estão condenadas a viver, antes de sua consumação fatal, no terreno daqueles que, por mais que desejem e sonhem tal façanha, ainda não se deram ao luxo de encontrar seu grande amor.

 Há amores que só se dão conta do quanto não valorizam o amor que têm, quando o perde. Perdem o grande amor de sua vida. Mas que nunca o viu assim. Então, vem o arrependimento. Este, muitas vezes, acalmado e controlado pelo reconhecimento de que não amou como devia e nem correspondeu à altura àquele amor que lhe dera tanta atenção, carinho, amor e ternura. Este sabe se conformar com a perda e suportar as consequências do amor perdido.

 Outros, sustentado pela raiva que vem da perda, se revolta, faz barulho, procura culpar o outro. Ou, por outra, promete até ser diferente, mudar, etc., mas já é tarde. O amor que morre, esse tipo de amor, não ressuscita. Ele já ofereceu todas as chances para ser amado, valorizado, reconhecido e feliz. Tudo fez para ser feliz e fazer o outro feliz.

 Que chances, por exemplo, foram oferecidas? A pessoa que confiou no amor da outra, tendo-a como alguém à quem fosse dar todo o seu amor e dele recebesse de igual maneira, jamais chegaria a crer que na metade da viagem ou que, nem bem começasse a viagem, as atitudes, as maneiras e a forma de convivência fosse ser alterada pelo parceiro. Os gestos de carinho, o sorriso em cada amanhecer, a demonstração de que tudo é alegria, e que tudo está ótimo, as mil maravilhas, em tudo concordar e, caso discorde, dar sua opinião contrária com jeito e educação, ser sempre gracioso, não levantar a voz, ser generoso, enfim, não alterar em nada o comportamento que apresentou desde o início da relação, na fase das conquistas.

 É bom que as pessoas saibam de uma vez por todas que a educação é a alma de um bom relacionamento. Quem tem educação, vai saber respeitar os sentimentos do outro, vai saber ter respeito pelo outro, e jamais se relacionará sem que as boas maneiras e os bons modos norteiem as atitudes e as ações de cada um. Infelizmente, a grosseria, a deselegância com o outro, a ausência da sutileza e da delicadeza se faz presente em muitos momentos da relação. O amor entre duas pessoas não resiste à grosserias. O amor se alimenta de carinho, gestos de bondade, de compreensão, de ternura e de admiração, um pelo outro. O amor requer paciência, chegando, às vezes, a exigir que, em certas circunstâncias, um ceda para evitar atritos desnecessários, causando descontentamentos e desavenças.

 Mas, uma vez chegado a termo o relacionamento, o que há que se fazer nesse caso? Bem, chegando a esse ponto, quando se verifica que a relação está impossível e desgastada, resta à cada um seguir a vida, tomar novos caminhos e tentar, mais uma vez, encontrar o amor de sua vida. Todavia, cada um com uma lição a considerar: um procurar ser mais atencioso para não cair, de novo, na possibilidade de achar que encontrou seu grande amor e mais uma vez ter entrado em uma canoa furado. O outro, aprender que, em matéria de amor, não se consegue enganar o outro por muito tempo.

                                           
- jose val
dir pereira -




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