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o poeta e sua mamãe

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Do amor mendigo...


De onde vens tu, que, de repente, apareces, desterrando-me da minha vã solidão, amiga inseparável, que me soterra noite à dentro de desvairado prazer?

Que enxergas em mim de tão especial, se nunca me dei conta que algo carrego de valioso, a ponto de convencer alguém a se haver nos meus braços, desfrutar dos meus ardentes beijos e me ouvir nos fartos e desajeitados sussurros de amor?

Onde queres chegar tomando-me por teu amor, para te amar, eu, sem modos e sem jeitos, se nem sei o quanto amo a mim, para amar-te, amar a ti, enfim?

Qual manhã vai te colher se me tiveres, se ainda nem vistes quão fascínio desperto nas minhas noites de amor, quando me entrego ao prazer de ser, de pertencer, de esmaecer sobre o corpo das minhas amantes?

Então, de onde vens, pouco importa saber? Decerto vens de onde se aprende a amar moribundos, vagabundos, desesperados e os acostumados com as sobras dos amores rejeitados?

E então, pelo que está posto, por assim ser, toma-me, pois, e me conta fazendo, o que sabes fazer...
(jose valdir pereira)

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