quarta-feira, 27 de abril de 2022

O que sobrou de mim

 


 

Esse rio já sem água, leito vazio, sem minhas lágrimas, não existe...

vazio é minha alma, meu leito sem ela e meus olhos secos...

a floresta se acaba no vazio do rio, meu sorriso, no vazio dos olhos, meu coração na cama vazia...

E do céu, o que restou? Nada. Nem o azul, nem aqueles carneirinhos, nem minhas flores que se formavam quando não era vazio também...

Vai que já vem a noite... vem que lá se vai o sol...olhe bem...são as estrelas. Onde? Ainda há? Perversa, essa tirania que imperou nesses tempos desalmados... Ainda não sumiram os latidos dos cães e nem os risos desengonçados das hienas... Onde estão? No entorno do seu tempo, à espreita do menor descuido da atenção que ainda tens... 

Olhe que lindo o mar! Que mar? Meus olhos, cadê meus olhos para ver esse mar? Um amar sem água, sem vida, sem nada...

Onde estou, quem sou, se é que sou algo, ainda?

O que sobrou de mim, afinal? Quem sabe!

jose valdir pereira 




“Whisper In My Ear”, Bart Lindstrom

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