terça-feira, 8 de agosto de 2023

segunda-feira, 7 de agosto de 2023

Crônica

 

Ela não tirava os olhos do final daquele caminho onde as beiradas estavam cheias de folhas mexidas pelo vento que corria para os altos das montanhas que existiam ao redor da sua pequena casinha de sapé.

De longe, chegava até seus ouvidos o som da correnteza das águas do igarapé onde, às vezes, ela molhava seus pés e conversava com os peixinhos que saltitavam velozmente submersos e senhores da vida que levavam naquele nicho tão seus, só seus.

Esses olhos que de certa forma buscavam ver algo que pudesse surgir como se não existisse apenas na sua imaginação, não a deixava perturbada porque ela sabia que tudo era apenas um sonho, um desejo intenso que havia no seu coração, impossível de fazê-la feliz e realizada ao ter sua alma auferindo o que de mais sagrado perpassava por entre seus pensamentos leves, puros e sutis.

De tão sonhadora, deixava se passar por alguém que só existisse em sua imaginação, onde a realidade se ausentava constantemente de si, sendo apossada e dominada pelos pensamentos que a levavam à realização dos sonhos que acalentava dia e noite, horas a fio, como se essa fosse a sua principal razão de viver.

E de tanto assim, não lhe era negado a impressão de que lá, não muito longe para onde olhava e fitavam seus olhos, estaria a ver a quem atendesse seus anseios e querências, a partir do que, rendia graças aos céus, falava baixinho com sua santa protetora, agradecendo o que via, que ainda não podia palpar, mas pelo menos se formava no espaço e naquele lugar o elemento concreto que habita seus sonhos.

Depois teve a ideia de fechar os olhos e deixar que a imaginação a levasse até àquela imagem que lhe apareceu, bem distante de onde estava. E foi assim que, percebeu que o poder do seu coração trouxe para ela a satisfação do seu grande e intenso desejo.

- jose valdir pereira -



Crônica

 



A janela estava aberta. Lá fora o vento tocava suavemente as folhas da roseira, como quem não quisesse incomodar as rosas. Um ou outro pássaro voava de uma árvore a outra, como que a querer se mostrar para ela que estava perto da janela a observar a suavidade do silêncio e a calmaria do tempo que parece que não passava, porque o panorama lá de fora era sempre o mesmo, como se fosse ali o céu, o paraíso, a morada celestial dos anjos do amor.

Se o perfume que chegava ao seu olfato não fosse o bastante, chegava-lhe uma melodia que ecoava de longe, muito longe, quase inaudível a fazê-la querer adormecer, mesmo em pé, naquele estado absorto, admirando a fascinação da natureza, tomada por seus elementos naturais, o vento, a luz do dia, a voz do vento e a leveza das árvores que se mexiam sob o toque sutil do vento que passava por ali, rumo às cordilheiras.

O que lhe passava pela mente, além da ideia de que estava absorta pelo vazio que lhe ofertava o tempo, o estado sublimado do entorno e sua abstinência ao resto da vida? Se apenas sentia e via com o coração, seu corpo não se manifestava. Apenas sua alma se deleitava com os sinais de como são os tempos e os espaços de uma outra dimensão exist3ncial, longe, bem longe, daquele seu pequeno lugar em que vivia seus dias de paz e de reflexão.

Nem aquela chuva quase despercebida, nem aquelas borboletas sobrevoando o jardim de sua casa, nem o canto do rouxinol na sua solitude, expondo suas emoções de uma vida alegre e cheia de graças pela vida que ganhara do seu criador, a despertava e a fazia sair de si para adentrar nesse mundo do qual fazia parte, mas não o via naquele instante de zelo e de ternura com sua alma e com o seu coração.

Mas, de repente, porque não era só sua presença que habitava o lugar, chega uma outra criatura, também, obra e graça de Deus, e, sem nada dizer, lhe tira a atenção que dedicava ao meio com quem interagia, mesmo em silêncio, mas descortinava uma dialética capaz de lhe prover da ciência do saber interpretar o outro sem deferir-lhe uma só palavra.

Era um iguana, um animal considerado exótico que costuma ser calmo e que gosta de passar horas no terrário, terreno reservada à criação de répteis. Desta vez a iguana a viu, mas porque ela estava tão ausente, a iguana chegou bem perto afim de sentir o que estava acontecendo na sua vizinhança.

- jose Valdir pereira -



sábado, 5 de agosto de 2023

O poeta e seu violão


O poeta na sua mocidade


 

Assim era o poeta aos 21 anos

 



O poeta na Universidade Federal de Minas Gerais tocando violão



terça-feira, 1 de agosto de 2023

Então, me leve que eu quero



Queres dar-me teus doces beijos e acolher-me na doçura do teu coração,
deixar-me agasalhado no teu corpo e sem mais nada a querer de ti?

Queres mostrar-me a beleza do paraíso e de como se é feliz no amor,
ter toda paz que preciso e viver intensamente o que meus desejos me
pedem, nas horas atrevidas da carne?

Queres que meus olhos se encantem com a imensidão da tua amabilidade,
Que meu coração fale a linguagem do teu,
que minhas mãos sigam as tuas
e que meu olhar esteja sempre radiante de felicidade?

Queres que eu amanheça rainha, deusa e amada,
Coberta de toda ternura e afagos que pode querer uma mulher,
Domada pelas vontades do amor infindo e interminável?

Então, me leve que eu quero.

- jose Valdir pereira -


Mas a promessa era o céu




Agora, que me levaram os restos da minha subsistência,
dou-me às flores... e me embriago com a fragrância das
Margaridas...

Agora, que levaram meus motivos de viver,
sustento-me nesse lampejo de morrer aos poucos,
ou talvez amanhã ou depois de amanhã...
se houver mais uma chance...

Agora, que eram tantas as esperanças semeadas,
tantos os sonhos guardados, a chuva chega, enfim,
e enche meu rosto de lágrimas amargas,
sem a doçura dos sonhos, com gosto e cheiro de fel,
mas a promessa era o céu.

- jose valdir pereira -
 

Todas as manhãs




"Todas as manhãs, antes do amanhecer, digiro-me à janela, que dorme aberta, 
para sentir o ar da manhã que vem do jardim do qual cuido com carinho...

Em qualquer estação do ano, é sempre primavera...
onde houver um jardim, há pássaros, borboletas, 
belas flores e o ar, além de puro, é revigorador...

Minha alma tem a pureza renovada a cada amanhecer...
meu coração rejuvenesce e o amor invade meus pensamentos..."

(jose valdir pereira)


Lá vai o poeta...




" Lá vai o poeta...
ninguém o vê, mas ele existe nos seus versos...
e segue caminho afora...ninguém o toca, mas ele sente os olhares...
os dedos postos em sua carne...
o fogo que lhe chega ao coração...
E ele se embriaga de amor, no vinho que lhe chega à boca, no delírio da solidão...
e se enche dos beijos delas nos pensamentos, para manter a chama do amor distante de quem o ama...
O céu? O mar? A canção de amor? Não. 
O último olhar em chamas, que ela deixou!"
 
(jose valdir pereira)

Isso mesmo...



E se um dia hei de ser pó, cinza e nada, 
que seja minha noite uma alvorada, 
que eu saiba me perder para me encontrar...

Formatura Filha USP Medicina Veterinária - 2026