terça-feira, 21 de maio de 2024

Retalhos da história de Rondônia 4

 


Aos meus alunos do Colégio Carmela Dutra, com Carinho.

Quando fui professor no Carmela Dutra, estive trabalhando para uma turma muito especial. Esta turma era bem singular e extraordinária. Primeiro, pelos alunos que lá estavam: João Lobo, Sulivan, Edson Mugrabe, Paulo Ayres, minha irmã Vania, e a bem extrovertida e amiga que atendia pelo cognome de vovozinha e muitos outros. Esse pessoal trabalhava o dia todo e, ainda assim, encontrava energia e disposição para se deslocar de sua casa, depois de um dia duro de trabalho, para enfrentar 4 ou 5 horas de aulas (módulo da cada aula de 50 min). Eram assim, nos Colégios noturnos de Porto Velho. Cheios de alunos guerreiros.

Eu fui sempre muito amigo dos meus alunos, permitia que eles entrassem depois do horário, evitava que as aulas fossem pesadas e exigisse mais sacrifício para quem estava exausto e cansado.

Jamais iniciei uma aula sem os descontrair, quer seja contando uma anedota, quer seja conversando um pouco sobre o dia a dia nosso. Eles ficavam à vontade para se manifestarem por alguns instantes. Eu adotava esta pedagogia para descontraí-los. Só depois a aula era propriamente iniciada. Nesse grupo tinha gente de todo tipo, de todas as origens: poeta (Sulivan), jornalista Paulo Ayres), comunista (João Lobo), professora (Vânia)...

A disciplina era Estatística da Educação. O curso era Pedagogia. Curso noturno. Tivemos vários diretores. Bons diretores. Professora Léa, professor Ageu, professora Lygia, padre Zenildo... Na sala dos professores, esses (Inácio de Loyola, Álvaro Lustosa, Zenildo da Silva, José Valdir) conversavam sobre os alunos (admirados sobre a dedicação deles) e cada professor dava as informações necessárias para que a turma tivesse um atendimento programado conforme a demanda, que era muito heterogênea, diversificada e bem ampla.

Era uma turma que não havia necessidade do professor pedir para que deixassem as conversas paralelas, nem recomendasse que estudassem, que não faltassem as aulas e que dessem sempre uma olhada no que fora apresentado pelo professor anteriormente, dada a necessidade do embasamento que pediam as aulas subsequentes.

Espontaneamente, João Lobo era o líder da turma. Aluno e amigo nosso na sala de aula e um grande amigo fora dela. Educado, culto, prestativo, samaritano, adorava se prestar a socorrer os amigos, fora e dentro da sala, como quem estivesse o tempo todo a servir.

Do Sulivan, tenho a lembrança de que sempre chegava 2 ou 5 minutos depois da aula iniciada. Chegava quando eu estava nos preâmbulos. Ele sabia que, no início das aulas, eu tinha essa metodologia de deixar a turma à vontade para haver condições de aprendizagem. Afinal, ali todos haviam passado o dia trabalhando. Alguns saíam direto do trabalho para o Carnela Dutra,

Eles já eram por assim dizer, formados. Na verdade, precisavam do famoso canudo para prosseguir estudos, melhorias salariais, posições sociais, desenvolvimento pessoal, etc.

Da vovó, lembro-me que fazia a turma rir bastante, principalmente naquele momento em que eu deixava a turma descontraída, para se contextualizar na sala de aula.

Havia um aluno por nome Edmar Repouso do qual eu havia sido professor na Escola Samaritana, no 4º ano primário. A exemplo do Paulo Ayres (que foi Prefeito Mirim de Porto Velho, quando o Adaídes Batista, o Dadá, foi Governador), meu aluno na mesma época.

Certo dia na UNIR (eu era professor de Metodologia Científica no curso de Administração de Empresas), no primeiro dia de aula, na apresentação do professor e dos alunos à classe, lá estava o Edmar. E eu lhe disse em tom de brincadeira: Edmar, rapaz, você está me perseguindo? Foi meu aluno no primário, no colegial e agora no ensino superior? Ele riu, a turma se descontraiu e começamos a aula.

Não era fácil para eles. Teriam que aprender como ler textos, escrever, fazer monografias, fazer resumos, interpretar, estudar as regras da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), que embora seja muito associada a trabalhos acadêmicos, a ABNT também define normas e técnicas para produtos industriais e prestação de serviços.

No Colégio Carmela Dutra, turma do magistério na qual eu lecionava Estatística da Educação, não era também fácil. Ainda bem que, ciente da necessidade do professor ser bem didático e saber ministrar as aulas com uma metodologia diversificada e ajustada à faixa etária e experiências dos alunos, a Estatística que eu lecionava, era uma disciplina atraente, cheia de gráficos e a aritmética era a matemática básica para sua compreensão.

Muitos desses alunos foram marcantes na minha vida de professor. O Sulivam chegava com seus poemas e me mostrava cheio de alegria. O João Lobo, sempre educado e gentil, apresentava-se uma figura política, culta e cheia de horizontes. Paulo Ayres carregava no semblante os sonhos que queria alcançar, (hoje, é um dos melhores jornalistas de Rondônia, tendo sido, inclusive, Assessor Chefe de Comunicação da Assembleia Legislativa de Rondônia. Ao lado do radialista Luiz Augusto, fez grandes reportagens para a Rádio Caiari, em várias áreas sociais, inclusive deu cobertura jornalística ao primeiro vestibular da Universidade Federal de Rondônia (UNIR), quando eu exercia o cargo de Pró-Reitor Acadêmico.

São muitas as lembranças desta turma. Mas não vou me estender muito porque a leitura fica desinteressante, embora não possa deixar de evidenciar a dedicação e o grande sucesso que alcançou um dos meus alunos brilhantes, que havia feito o ginasial comigo no Dom Bosco, nosso querido Edson Mugrabe, hoje um grande e competente Engenheiro Florestal.

Quando estou em Porto Velho, ainda, feliz, encontro-me com alguns desses notáveis e extraordinários alunos. Lamentei muito quando soube que alguns já haviam partido para a morada eterna, como o amigo Sulivam, o amigo João Lobo, entre outros.
Estão com Deus. Deus seja louvado.

Sempre que vejo o filme "Ao mestre com carinho", LEMBRO DESSA GENTE QUERIDA.


 









Retalhos da história de Rondônia 11



Uma apresentação de um livro, um prefácio, é o cartão de visitas, o convite ao leitor, convencendo-o de que sua leitura será agradável, enriquecedora, além de constituir-se em uma mostra, pelo valor de quem faz a apresentação ou o prefácio, que ali, no livro, tem significância literária, beleza poética e alegria para o coração.


Quando escrevi um dos meus primeiros livros, estava rodeado de celebridades das letras e das artes. Amigos e pessoas da comunidade rondoniense que participavam plenamente do desenvolvimento econômico, social, cultural e político de Rondônia. Eram tantos!!!


Como eu estava muito próximo do Vitor Hugo (em memória), que mostrou-se muito amigo e confiante na minha capacidade técnica ao ter me convidado para ser seu Secretário Adjunto na Secretaria de Cultura, Esportes e Turismo - SECET, decidi pedir-lhe que fizesse o prefácio do meu livro "Momentos", poemas selecionados, muito lirismo e exprimindo a história dos poetas apaixonados pela vida e de bem com ela.


Vitor Hugo, muito prestativo e homem dedicado às artes, à cultura e à educação em geral, aceitou o convite. E escreveu esta obra prima de prefácio. E, querendo mostrar-se simples e humilde, escreveu: "Como se prefácio fora".


Beleza deixada pelo Vitor Hugo no meu livro Momentos. Além do Vitor Hugo, tive o privilégio de contar com as ilustrações do querido amigo Isaias Viera dos Santos (em memória). Pois é! Isaias era também um excelente desenhista.


O livro foi show. Sucesso. Hoje é um dos meus livros cuja edição está esgotada.


COMO SE PREFÁCIO FORA


Meu bom Valdir,
O que tens escrito pelo desenvolvimento cultural de Rondônia, recomenda-o ao respeito e à admiração gerais. Essas são palavras de um ex-Presidente da república, ditas a respeito de outro poeta amazônida. Mais que simples plágio, eu as incorpora à testa desses minipoemas poéticos de tua lavra.


Ausculto em suas entrelinhas
...um tipo de sêmen radiativo
...a nova luz o novo sangue
que há de expulsar dos cérebros futuros
o código das sombras, a fome de matar
e os resíduos totêmicos do medo.


Ao receber o manuscrito solicitando-me palavras de sua abertura em compasso de “abertura”, parecias dizer-me:


Amo arrumar palavras. Porque sei que há traças percorrendo em rios de papéis.
Coisa difícil é dar...
Palavras são sangue, mesmo as que gravadas sem propósito.


Escuta-me, Valdir: se foi surpresa para mim o pedido que me fizeste, eu já tinha descoberto em ti “o” poeta:


O poeta vai pela rua.
Ninguém está vendo o poeta,
Porque o poeta é transparente.
Mas duvido que ninguém sinta
A sua presença abstrata.


Todo livro tem a sua história particular, os seus quês e para-quês, defeitos ou virtudes, que lhes assinalam os homens, os fatos, ou a natureza. A poesia em ti, Valdir, eu já t’o disse: começa em teu lar. Não és poeta porque escreves poesias, tampouco és poeta porque tens um lar poético.


Constituíste, sim, um idílico lar poético porque és poeta: a poesia está em ti.


A poesia é o coração, é a alma, um produto superior ao mesmo livro; em miríades de sensações diversas, em um labirinto de belos panoramas, dispostos ao colorão da arte, a poesia fulgura, a imaginação voa, o ideal se coloca e a imensidade aparece.


Estão aí, Valdir, os teus versos. Continua compondo versos, continua sendo poeta, sobretudo na vida, esperança dos míseros humanos, divino apagador dos desenganos.


Dentro de tua mensagem poética, otimista, entretanto, não te esqueças, Valdir, do nosso primeiro vate, cujos ossos repousam no Cemitério dos Inocentes; estou falando de Vespasiano ramos, que morreu lembrando-nos a nós todos, triste realidade:


...na terra, deu-se, apenas, isto:
multiplicou-se o número de Judas
...e vai crescendo a prole de Pilatos.


VITOR HUGO


Historiador, escritor, professor, advogado, Tradutor juramentado, membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, do Amazonas e de Rondônia, membro fundador da Academia de Letras de Rondônia, Reitor pró-tempore da Universidade Federal de Rondônia - UNIR, Secretário de Cultura, Esportes e Turismo de Rondônia.



Retalhos da história de Rondônia 10






Padre Vitor Hugo, Padre Claudionor e eu, discípulo de ambos.
 
Você sabe quem foi o pioneiro rondoniense VITOR HUGO? Aqui, não se trata da história completa deste desbravador (que escreveu o livro Desbravadores), mas apenas uma gota do oceano, da grandeza de sua vida.
 
De repente, recebo um telefonema e uma voz, já rouca, do outro lado, me dizia: professor Valdir (não me chamava de Valdir. Homem culto, mesmo sendo superior, não despreza a elegância quando lida com as pessoas, mesmo, se amigas). Eu estou aqui em Fortaleza e vou visitar meu amigo Claudionor (quem estudou no Ginásio Dom Bosco, sabe quem era o Padre Claudionor). Quer ir comigo? Lembrei-me de imediato do Padre Claudionor e, de imediato, aceitei o convite. O ex-padre Claudionor, soube depois da nossa visita, era na ocasião adido cultural na embaixada do Brasil no Chile.
 
Foi uma visita espetacular. Eu, como sempre, ouvindo mais do que a falar, deixei os dois tomarem seu tempo com as lembranças e reminiscências que os faziam rir, e se encherem de emoções. A esposa do adido cultural Claudionor e eu ficamos calados, apenas deixando os dois comemorarem seu encontro com alegria inenarrável.
 
Após algum tempo, nos despedimos e eu, mais uma vez, aprendi com eles a arte da convivência com os doutos das palavras dos livros sagrados e aperfeiçoei minha humilde forma de ser.
 
Nesta época eu era Coordenador de Planejamento da Secretaria de Educação do Ceará, no governo Ciro Gomes, e tive a honra de receber o amigo Vitor Hugo no gabinete, quando ele passou às minhas mãos os dois tomos do seu livro Desbravadores, com o precioso e histórico autógrafo.
 
Pois bem, como já é notável, adoro escrever. É claro que adoro ler também. Mas tem uma época que não leio de forma alguma. É quando estou escrevendo. Tenho receio de ser influenciado e fazer da minha criação uma repetição ou uma recriação, abordando, nestas palavras, texto de outrem; dizer de outra forma o que os poetas clássicos já disseram, embora de outra maneira. E, até mesmo, o quê, os meus contemporâneos estão a dizer. Coisas assim.
 
Também, não vejo nenhuma dificuldade em escrever. O que tem sido difícil, mesmo, é fazer chegar até o leitor o ser criado. A criatura. E o grande trabalho começa depois que decido publicar, em forma de livro, o que escrevi.
 
É que, neste instante, reflito sobre a índole, temperamento, virtudes e qualidades que o meu livro vai carregar. Por isso, esbarro sempre nessa dificuldade, embora superável, mas que me causa desterro. Tenho que me isolar e cometer sozinho minha loucura.
 
O livro, por exemplo, “Em Prosa e Versos”, o meu próximo afresco, “miguelangelismo”, me causou um pouco de êxtase e agonia. Mas é assim mesmo. É difícil um parto sem dor. Que digam as mães. Mas, depois, vem o encantamento. O contentamento. Mesmo que não seja um best-seller e mesmo que, seja pouco vendável, ali está ele: belo, cheiroso e enchendo de orgulho o criador.
 
E no meu caso, meus livros já têm destinatários certos: filhos e netas, alguns irmãos, sobrinhos, primos, afilhados, amigos... É tanta gente que, geralmente, uma só tiragem não atende a todos.
 
Sempre faço novas edições, para atender à demanda reprimida.
 
Pois bem! Este livro, além de se destinar a um novo segmento da sociedade, é, outra vez, endereçado aos meus leitores assíduos: parentes e amigos. São eles que contam.
 
Amigos, como os que me escreveram algumas linhas fazendo alusão aos meus trabalhos literários, já publicados.
 
Para eles, criei nesta obra a seção intitulada “Fragmentos de Cartas ao Poeta”. É uma homenagem que presto a esses amigos. São essas sinalizações, dentre outros toques sutis emitidos por gente como eles, que dão ao escritor estímulo para publicar suas obras literárias.
 
Assim, temos, no início, uma carta do amigo Vitor Hugo a mim endereçada, que, infelizmente, não se encontra mais no nosso meio, porque Deus inventou de chamá-lo para prestar seus nobres serviços lá pelo céu. Acho que, para Deus, sua missão já havia sido cumprida aqui na terra. Como bem disse o Zé katraca, no Jornal “Diário da Amazônia”, “O amigo Vitor Hugo, sem nos avisar e acho até que, sem ser avisado, partiu desse para outro plano”.
 
Quem conheceu o escritor, historiador e pesquisador Vitor Hugo sabe o quanto ele fez por Rondônia. Advogado e professor, foi Secretário de Estado da Cultura, Reitor da Universidade Federal de Rondônia e, entre outros feitos em prol do desenvolvimento de Rondônia, fundou a primeira emissora de rádio do Território Federal de Rondônia, a Sociedade de Cultura Rádio Caiari Ltda (1961), implantou a telefonia automática em Rondônia (1965) e é um dos principais responsáveis pela implantação da televisão em Porto Velho. É o autor dos livros “Desbravadores”.
 
Sobre ele escreveu a historiadora Yêdda Borzacov, em 2001, no seu livro “Gente de Rondônia – Personagem da Nossa História”: com os seus 80 anos, o historiador e acadêmico Vitor Hugo (membro do Instituto Histórico e geográfico de Rondônia e da Academia de Letras de Rondônia), continua com os olhos abertos para a vida e para o mundo, sempre a nos ensinar que a vida é uma renovação constante do próprio espírito, visto que o minuto que passa, e que nos vai levando, é um motivo a mais para criar e recriar”.
 
Beto Bertagna, sobre os feitos de Vitor Hugo (no seu escrito, Bertagna exprime o nome original do Vitor Hugo, que é Vitor Ugo e não Vitor Hugo), escreveu:
 
Vitor Ugo, autor de “Os Desbravadores”, fez estudos superiores em São Paulo, Rio de Janeiro e no exterior. Em seus mais de 40 anos de vivência em Rondônia, ocupou a cátedra do magistério de nível médio e superior. Foi o primeiro secretário de Estado de Rondônia para a Cultura, Esporte e Turismo – SECET, além de ter criado a Rádio Caiari, implantado o automatismo telefônico em Porto Velho, onde, nos anos 60, também colocou a primeira imagem televisionada. Com a autoridade de profundo conhecedor da região e dos homens que habitam a Rondônia de Roquette Pinto, lhe foi possível acompanhar passo a passo o progresso que a envolve, com seus complexos problemas, a partir da eclosão migratória aos problemas ecológicos, ambientais e do índio, todos vistos sobretudo sob o aspecto social.
 
Como diz o meu amigo Dadá do Areal, este, o Vitor Hugo, tem que ter um busto em uma das praças de Porto Velho, para que todos lembrem, para sempre, quem foi.
 
Vitor Hugo é um daqueles, um dos 15, (não o quinze da escritora Rachel de Queiroz, no qual retrata a seca que o Ceará sofreu em 1915), porém um dos 15 que criaram a Academia de Letras de Rondônia, em 1986, depois que o Estado foi criado, faltando-lhe uma entidade cultural/literatura, para completar a obra engendrada pelo governador Jorge Teixeira de Oliveira, já que após criar o Conselho Estadual de Cultura, do qual fui Presidente, e a Secretaria de Cultura, Esportes e Turismo (da qual o Vitor Hugo foi seu primeiro Secretário), ele bradou: esse negócio de academia de literatura é com vocês. E mesmo que eu quisesse, não podia porque uma academia de letras é uma associação/instituição a ser criada pela sociedade, por ser um órgão não governamental, regido por uma Lei Federal específica.
 
Em momento oportuno, discorrerei sobre a criação da Academia de Letras de Rondônia, com a participação do governador Paulo Nunes Leal, poeta Bolívar Marcelino, historiador Esron Menezes, jirnalista e historiador Emanuel Pontes Pinto, historiador Hugo, entre outros, cabendo a mim ser o Secretário ad hoc da primeira reunião, ocorrida na Biblioteca que leva o nome do irmão do escritor, jornalista e historiador Emanuel, Dr. José Pontes Pinto.
 
Vitor Hugo nasceu em Turim, na Itália, em 1921 e morreu no Rio de Janeiro após sofrer um ataque cardíaco, passados apenas três meses após me escrever, a carta que está no livro.
 
Chegou a prefaciar dois livros de minha autoria. O prefácio de um livro ou sua apresentação contém uma breve avaliação daquilo que o leitor vai encontrar durante a leitura. Vitor Hugo era um gênio, também, na arte de introduzir o leitor à leitura de um bom livro.
 
Perdia, à época, um grande amigo. Mas sei que, pelos serviços prestados aqui na terra, a pedido do Pai celestial, ocupa importante lugar no céu. Sei também que, quando a corte celestial aprecia alguns deslizes meus, o amigo sempre vota a meu favor.
 
Como me referi no inicio deste escrito, isto é apenas uma pequena amostra da história do nosso extraordinário pioneiro Vitor Hugo.
 
Algo mais vamos encontrar na obra "O livro dos esquecidos", que está em fase de elaboração.








Retalhos da história de Rondônia - 9






Matias Mendes, o mestre pioneiro das letras em Rondônia, uma doação do Vale do Guaporé.
 
Aliás, ou Vale Valioso! Como se não bastasse Matias Mendes, encontramos uma Yedda Borzacov, um Edson Jorge Badra, um Paulo Saldanha e tantos outros que dão à lista valor incomensurável. 

Gosto muito de trocar cartes, bilhetes e correspondências com os amigos. Com os de perto, e com os de longe. De Oiapoque a Chuí e de Fortaleza à Portugal, USA, França, entre outras amizades que semeei nessa vida afora.
 
Um dos preciosos momentos que vivi nessas incursões, foi quando o Matias e eu, trocamos algumas cartas, relembrando um pouco de alguns fatos que consubstanciaram nossas vidas de escritores, de poetas e de pioneiros da literatura rondoniense, participando, ao lado de outros integrantes da literatura do torrão, como José Ferreira (Bahia – em memória), Selmo Vasconcelos, Eunice Bueno, Silvio Persivo, Kléon Maryan (em memória), Bolivar Marcelino (em memória, José Cercino, entre outros.
Em uma dessas cartas que escrevi para o Matias, lembrava-o dos nossos momentos literários. Foi desta maneira que eu me dirigi ao nobre e baluarte da literatura rondoniense, Matias Mendes.
 
Matias, querido confrade, poeta, historiador, escritor e amigo: você, a inesquecível amiga Kléon Maryan, os amigos Bolivar Marcelino, Edson Badra, Eunice e o nosso saudoso 'Bahia", são nossas referências literárias...
 
Eu me recordo sempre de como cada qual se apresentava nas atividades, nos movimentos e nas nossas reuniões literárias e culturais...
 
Para mim, sem a presença de vocês, esses momentos e movimentos literários de Rondônia e em Rondônia não tinham o valor desejado e a importância proposta. Ocasionalmente, releio seus livros, os livros da Kléon, os livros do querido amigo Edson Jorge Badra, a quem estimulei e dei meus incentivos técnicos para publicação do seu primeiro livro, "Sonhos Prosaicos e Poéticos", em 1987.
 
Nas leituras encontro-me com vocês e dou um "chega para lá" à "marvada" saudade. E você, Matias, devia escrever mais, porque adoramos sua poesia... E você é uma das expressões mais notáveis e preciosas que Rondônia possui...
 
"Nada como la poesia para excitar el sentimientoy emoción...para hacer vibrar las fibras más sensibles del ser humano."
 
Você, amigo poeta Matias, faz os versos que amamos, aqueles que nos transportam para o mundo mágico e delicioso da poesia, da vida.
 
Parabéns, grande amigo!
 
- jose valdir pereira –
 
Para esta carta, Matias respondeu:
 
Meu caro confrade José Valdir, também membro fundador da Academia de Letras de Rondônia.
Na verdade, eu nem sou tanta coisa assim como a sua generosidade apresenta-me, mas sou de fato príncipe-beirense de nascimento, tendo como legítimo município de origem a cidade de Guajará-Mirim, que era a Comarca quando nasci no Território Federal do Guaporé, no ano de 1949.
 
Costa Marques é apenas a nova divisão política da minha região de origem, mas prefiro mesmo dizer que sou natural do Forte do Príncipe da Beira, o verdadeiro centro de civilização que deu ao Brasil grandes homens e grandes e belas mulheres que atuam ainda hoje pelo Brasil afora em suas respectivas atividades profissionais, principalmente no quadro de Oficiais do Exército, mas também há médicos, enfermeiros, pedagogas, professoras de diversas áreas do conhecimento, oficiais legionários, oficiais da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros, alguns não propriamente do Forte do Príncipe, mas todos das barrancas do nosso velho e legendário Guaporé...
 
( ... )
 
Matias Mendes
 
Foi assim que o poeta Matias começou a responder a carta que lhe enviei.
Para não me alongar neste texto, fiz um corte na carta e sigo mostrando outro trecho do que escrevera o poeta do Vale do Guaporé, quando nos damos a conversar, a trocar ideias e a confabularmos acerca da literatura.
Matias, em uma parte do prefácio do livro que ainda vou publicar, mas que já garanti sua valiosa participação na obra como prefaciador, escreveu:
 
Professor Valdir:
 
Ao longo dos meus anos de prática literária, com incursões por gêneros e temas diversos, aprendi sobretudo a conviver com os estilos que nem sempre se incluem no domínio do meu manejo pessoal das letras.
 
O aspecto mais positivo de tal aprendizado foi o desenvolvimento do senso crítico em relação às minhas preferências literárias.
 
Foi esse longo aprendizado que me fez apreciar progressivamente a maneira diferenciada de como você se dedica a construir sua poesia, marcantemente personalizada e por vezes notadamente distanciada em relação a muitos autores regionais.
 
O estro poético valdiano, ao meu modesto e desautorizado ver, é o mais madeirista que se poderia entrever no contexto literário de Rondônia. E encerrou, dizendo: conquanto nunca se tenha o Autor apresentado como integrante da corrente literária autodenominada madeirista, vejo-o assim.
 
Pois bem, amigos deste amável espaço, que muito nos lembra o inesquecível amigo Chagas Neto, esta exposição de enxertos de missivas trocadas entre os dois escritores, que faço aqui, não tem outro propósito, a não ser o de manter a chama viva dos nossos pioneiros, na mente e na lembrança dos rondonienses, de todos nós.
 
Aliás, esta é minha proposta e agradeço aos administradores do Grupo. Aquela de Revisitar, recordações e reminiscências dos grandes pioneiros que deram suas vidas e de outros que ainda o fazem, em prol da criação, construção e desenvolvimento de Rondônia. Rondônia, Território Federal e Rondônia Estado, torrão brasileiro, hoje a desfrutar de sua autonomia administrativa, econômica e política. E não só. A despontar, em breve, em muitas vertentes, como a unidade federada mais potente e desenvolvida da Região Norte.
 
MATIAS ALVES MENDES, «O Poeta do Guaporé", nasceu no vale do rio que emprestou o nome ao extinto Território Federal do Guaporé, quando da sua criação em 1943. O poeta nasceu no dia 24 de fevereiro de 1949, na Colônia Lamego, em Forte do Príncipe da Beira.
 
Estreou na literatura em 1982, com a publicação do livro de poemas «As Emoções e o Agreste". Além da sua obra de estreia, sua atual bibliografia inclui, entre outros, os seguintes títulos: «As Musas e o Perfil" (poesia), «As Quimeras e o Destino" (poesia), «As Malvinas do Jamari" (história regional) e «Síntese da Literatura de Rondônia", ensaio literário que publicou em coautoria com a poetisa Eunice Bueno da Silva.
 
PROCEDÊNCIA
 
Venho lá da serena Paz campestre,
Lá das remotas e bucólicas paisagens,
De onde os procelosos ventos das friagens
Estrugem em cordilheiras do oeste...


Venho das serrarias do agreste,
Dos verdes vales, das verdejantes margens,
De onde com imponência as ramagens
Erguem-se altaneiras da vastidão silvestre.


Venho de extensas florestas, largos rios,
De entre animais belos e bravios,
Da terra onde o horizonte é mais candente...
Venho das noites amenas das cordilheiras,
De perto do fragor das cachoeiras,
Da terra do esplendor do sol poente!


Matias Mendes e o poeta












segunda-feira, 20 de maio de 2024

A carta



Valdir,


Estive em Goiás Velho e lembrei-me do chefe.
A cada dia venho comprometendo-me mais com a demora em escrever-lhe.
A amizade nunca foi acidental. Sempre me lembro de você, dos bate papos dos filósofos...
e há horas que faço laços imaginários tentando fazer voltar todos.

Valdir,

atualmente estou em Goiânia tentando terminar a faculdade. O amanhã eu não sei onde
estarei, mas o certo é que sempre haverá você e sua filosofia...Eu aprendi um pouco com você (por
exemplo, não confiar tanto nas pessoas).

Sempre encontro com Merces (estudamos juntos e moramos pertinho) e a gente lembra os
momentos do serão...
Você, Marinalva sempre estão no assunto.

Valdir,

o livro custou ir porque só agora a edição chegou à Goiânia.
Por isso que é chato morar no interior do Brasil.
Abraços, da amiga Edna.

Fim

Esta foi uma das cartas que Edna me enviou.
P.s.: (adoro esse P.S.) Você sabe o que significa? Post-scriptum, originário do latim, significa

escrito depois; algo necessário acrescentar a uma carta após a mesma ficar pronta.

quinta-feira, 16 de maio de 2024

Um professor, hoje um poeta que queria ser médico


Eu nem pensava ser professor; minha ambição era ser médico; mas, de qualquer sorte, formei muitos médicos. Outro dia, quase não chegava em casa, de tanto ser interceptado, carinhosamente, pelos ex-alunos; e tantas foram as conversas, que eu renasci e anos e anos revi e revivi; e aqueles, hoje pais, avós e até velhinhos, eram vistos por mim, naqueles instantes, como criancinhas ou adolescentes, vivendo suas esperanças, quimeras e seus sonhos! Parece que me ofertavam flores e parece que eu era beijado e abraçado como acontecera em velhos anos atrás, muitas vezes.



Agora, todos adultos, são tímidos ou então pensam que mudamos e ficamos distantes... Que nada! O melhor de ser professor é isso: continuamos professor nos corações dos nossos alunos e continuamos felizes, eivados de boas lembranças, recordações, e até nos pegamos sorrindo, ao lembrarmos, com saudade, incidentes, atitudes desajeitadas de alguns, gestos carinhosos de outros, e até dos presentes que ganhávamos, principalmente dos pequeninos, e que eles próprios nos ajudavam a levar esses presentes para casa, porque eram tantos... E agora? Agora, sou um professor poeta; um professor escritor, que escreve suas reminiscências, suas saudades, suas realizações, a vida e seus contornos, idas e vindas, caminhos e descaminhos, e suas esperanças em versos, como que estivesse, ainda, numa sala de aula, respirando pó de giz, de frente para um quadro verde, outrora negro, voz rouca, mas feliz porque... é gostoso ser professor! Professor de manhã, de tarde e de noite; até de madrugada, certas vezes! Coisa de professor! Uma delícia ser professor.

Até hoje o exercício da profissão dá satisfação, prazer e alegria, porque, ao encontrar ex-alunos, vêm os abraços e, através deles, parece que querem oferecer toda riqueza do mundo, como presente pelos momentos que vivemos juntos e pelo quão importante fomos em suas vidas!
Quero crer que seria um bom médico, como fui um bom professor!
Mas, agora, quero ser um bom poeta, como fui um bom professor.
Continuo semeando amor, flores, paz, carinho e sabedoria. Poeta, médico ou professor fazem muito bem isso!
"Não somos só o que queremos; somos, principalmente, aquilo que fazemos!"
(josé Valdir Pereira)





Para saber amar, só se com arte e amor



Ver no teu sorriso a expressão de um belo coração;
sentir no teu olhar a ternura de uma criança;
desejar amar teu corpo e sonhar, viver no tempo que for, do teu amor;
acordar e sentir a doçura e a leveza de beijos guardados para o teu amor;
não pedir e ganhar e ouvir frases que apaixonam o coração;
ser surpreendido com pequenos gestos de amor e de carinho;
sentir saudade, mesmo que não esteja distante;
uma saudade de prazer, de amor, de carinho;
fazer por onde amar, incondicionalmente, de todas as maneiras, jeitos e em qualquer lugar;
saber que o amor é confiável, pleno e todo dedicado a quem amamos e infinito no tempo e no espaço;
Ser feliz com a companhia, que anoitece e amanhece ao teu lado, sob quaisquer circunstâncias;

Ah, querida minha,
o amor só acontece se nos atemos na arte de encontrarmos a pessoa certa
para o nosso coração, sob pena de fazermo-lo sofrer por causa da nossa desdita.
Ninguém consegue construir seu complemento, sua outra parte.
Encontramo-la; está por aí, acenada num olhar, num sorriso...
E, não raro deixamos ela, a nossa outra metade, passar,
porque ignoramos, não nos importamos com o encontro espontâneo,
e nele tampouco acreditamos, deixando a oportunidade escoar-se da nossa vida."

(josé valdir pereira)



O resgate do amor pelo amor




"A delicadeza, a gentileza e a elegância nos gestos são componentes indispensáveis ao contentamento do coração. Quem já não ficou feliz porque alguém, desinteressadamente, lhe exprimiu um sorriso? E um aceno, deixando sair um "olá!", um "tudo bem?"


Se soubessem os pais, a escola e aqueles que têm a responsabilidade de educar, jamais olvidariam nos currículos a listagem de objetivos educacionais voltados à consecução de resultados que contemplassem o desenvolvimento dessas atitudes nas crianças, nos jovens e até nos adultos.


Procuro, nos meus versos, na minha poesia e nos meus pensamentos e frases, deixar um pouco da mensagem do amor e da necessidade de semearmos atitudes que possam alterar, nem que seja a milésima parte de tudo, os desígnios da humanidade, que, nos últimos tempos, está perdendo a beleza da convivência e a razão maior da nossa existência, que é o amor!"

(josé valdir pereira)




Da minha evolução espiritual

 






Faça pelo menos a metade de tudo isso e você será feliz

 


sexta-feira, 10 de maio de 2024

DIA MUNDIAL DO PROFESSOR

Hoje, 5 de outubro, é o dia mundial do professor. Sempre me vem a lembrança muitos momentos que eu vivi com meus alunos quando vivia com ele...